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25 de mar de 2012

COMO O CÉREBRO APRENDE?

Por

Norita M. Dastre

O cérebro é um órgão complexo que começa a aprender, segundo os estudos da Neurociência Cognitiva (NC), desde o início da sua formação por meio da sua modificação com as experiências. Aprende através do exercício das habilidades, das necessidades, da motivação, da curiosidade, do interesse, da repetição e das fases inerentes ao desenvolvimento neuro-cognitivo[1].
O córtex cerebral, a complexa “massa cinzenta” que compõe 80% do cérebro humano, é o responsável pela nossa capacidade de recordar, pensar, refletir, comunicar, adaptar às novas situações e planejar o futuro.
Pantano,[2] afirma que ao nascer o bebê já enxerga, ouve, prefere sons agudos, geralmente gosta de formas arredondadas e reconhece a simetria, fatos comprovados cientificamente, por neurocientistas, que contradizem várias crenças sobre as inabilidades dos recém-nascidos.
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De acordo com Muszkat [3] (2010), 50% do desenvolvimento cerebral se dá até o primeiro ano de vida. “Por isso, os problemas que ocorrem com a gestante podem ter uma repercussão muito grande na formação do cérebro do feto”. No primeiro ano de vida todas as atividades que estimulem a audição, fala, equilíbrio e controle motor são fundamentais para o processo de aprender durante toda a vida do indivíduo, portanto, pais, cuidadores e professores precisam ter o conhecimento sobre isso.
A fase de maior crescimento, de conexões neurais, de aprendizagem se dá na infância, quando atinge a sua formação completa por volta dos 7-8anos. Esta  fase é crucial, pois é quando as crianças iniciam o seu processo de aprendizagem escolar.
Muszkat afirma que  

 (…)com seis ou sete anos ocorre um fenômeno muito importante: a lateralização das funções cerebrais, ou seja, a especialização de um lado do cérebro. A lateralização mostra que houve o amadurecimento cerebral para lidar com símbolos que tenham a ver com a linguagem, como as letras. Sinal de maturidade cerebral.
 
Hoje sabemos que os estímulos adequados a cada faixa etária promovem maior número de conexões sinápticas, além de criar as conexões certas para a aprendizagem, mas é preciso saber como se dá a maturação neurológica para que se possa estimular adequadamente essas conexões e assim não causar prejuízos ao processo de aprendizagem.
Segundo Pantano e Ferreira (2010), uma estimulação em tempo inadequado pode causar tantos danos quanto a ausência de estimulação. Crianças que “pulam” estágios de desenvolvimento encontram dificuldades enormes para recuperar o que perderam.
Segundo a professora Silvia Colello, os exercícios mecânicos, as práticas insípidas, a falta de diálogo, as práticas discriminatórias que desconsideram a diversidade cultural na escola propiciam o fracasso escolar.
Para a professora, há uma lógica no não aprender que se apresenta nas dimensões cultural, social, pedagógica e política.
  • Dimensão cultural: Por que preciso aprender se na minha comunidade isso não é valorizado ou se a minha família não sabe ler nem escrever com ficarei perante ela? Cabe ao professor nessa dimensão se ajustar ao perfil cultural do seu aluno para compreendê-lo.
  • Dimensão social: buscar relações que promovam o bem estar dos alunos na escola.
  • Dimensão Pedagógica: o desafio está no ajustamento da metodologia ao processo cognitivo do aluno. Optar pelas práticas ativas que visam a construção do conhecimento.
  • Dimensão política: a valorização do saber, da escola e do professor. 
stock-vector-head-and-brain-gears-in-progress-concept-of-human-thinking-92924131   Embora nos preocupemos muito com os alunos que apresentam dificuldades em  aprender há a necessidade de olharmos para aquele que aprendeu, mas que não valoriza esse aprendizado e em muitos casos não sabe aplicar o conhecimento na vida prática.
       Esta é uma questão para a reflexão pelos educadores de hoje, da era tecnológica, da sociedade do conhecimento, da criança multimídia, da lousa digital, das melhores relações entre o professor e os alunos, enfim para os educadores que fazem a diferença para os seus alunos.

DASTRE, N.M. Educação e Neurociência Cognitiva: a interação para uma educação inclusiva. Monografia. USP.São Paulo.2011
[1] FOZ, A. Neurociência na Educação I. In Neurociência aplicada à aprendizagem. PANTANO, T. ; ZORZI, J.L. São José dos Campos: Pulso, 2009.p.171
[2] PANTANO, T. Palestra “Neurociência Aplicada à Aprendizagem”. São Paulo. Congresso SABER 2011.
[3] Mauro Muszkat é médico neurologista infantil e professor da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP).
Fantásticas conexões. Disponível em: http://www.neuroclin.com.br/noticias/Dr_Mauro_Muszkat_03.html. Acesso 01 maio.2011.
Figura 2: Disponível em:http://www.stockphoto.com/

3 comentários:

  1. Olá Dra. Norita,

    Achei muito interessante as informações contidas no blog. Percebi em mim muitos dos sintomas do TDHA e decidi procurar ajuda!

    Abs

    Edson

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    Respostas
    1. Olá Edson, obrigada pela participação. Sugiro que procure por um profissional especialista em TDAH. Caso queira maiores informações e sugestões, entre em contato via e-mail.
      Abraços

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  2. Artigo de extrema relevância. Obrigado por disponibilizar a bibliografia de referência.

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