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5 de fev. de 2014
7 de jan. de 2014
26 de mai. de 2013
Autismo- Jovem de 17 anos consegue se comunicar utilizando o notebook.
Carly, adolescente autista, que fora considerada deficiente intelectual, surpreende a todos, pois agora se comunica, em seu blog e twitter, com as pessoas que querem saber como se sente e pensa uma pessoa com autismo.
29 de jan. de 2013
Aprendendo a esperar
Melina Pockrandt
A habilidade de controlar os impulsos com o intuito de obter
adiante alguma vantagem ou objetivo desejado. Assim é definida a capacidade de
adiar recompensas, atributo exclusivo dos seres humanos e componente fundamental
da inteligência emocional. Segundo Norita Dastre, psicopedagoga
e pedagoga com extensão em Neurociências da Aprendizagem, essa habilidade faz
com que o indivíduo saiba aguardar o tempo adequado para ser recompensado por
suas ações ou seus comportamentos, seja no âmbito familiar, social, profissional
ou acadêmico. “Podemos perceber já em crianças bem pequenas a baixa tolerância à
frustração por não obterem instantaneamente aquilo que desejam. Essa
incapacidade de aguardar o tempo certo para ter o que se quer está se tornando
um grande problema social, e a mídia tem colaborado demasiadamente para isto”,
considera.
A especialista afirma que é possível – e necessário – que pais e professores trabalhem para contribuir no desenvolvimento da capacidade de adiar recompensas, já que crianças que não apresentam essa habilidade estão mais propensas a demonstrarem características como birra, irritação e raiva, hiperatividade ou apatia, tristeza ou depressão, choro fácil, reação negativa diante de situações novas e impulsividade. Além disso, têm dificuldades em seguir regras, enganam as pessoas para conseguir o que querem e buscam estar sempre em vantagem. “O professor e todos educadores da escola – [incluindo também] porteiros, inspetores, coordenadores, diretores, funcionários da limpeza, secretários, vigias e funcionários da cantina – podem observar facilmente alguns sinais como esses: a criança pode apresentar até mesmo agressividade diante das lições – quando não consegue realizá-las –, tentar burlar as regras das brincadeiras a seu favor e sempre dar um jeito de ser o primeiro na fila da cantina”, exemplifica Norita.
Os pais – com o apoio de avós, tios, professores e outros adultos do convívio da criança – são os principais responsáveis por promover o desenvolvimento da capacidade de adiar recompensas desde muito cedo. “O incentivo à repetição de atitudes inibidoras da impulsividade e da ansiedade, objetivando aguardar o recebimento de uma recompensa, um prêmio ou um presente, é fundamental, e todos os adultos que participam como educadores das crianças e dos adolescentes têm um papel importantíssimo no desenvolvimento desta habilidade”, explica a psicopedagoga. Ela lembra ainda que é importante que haja o controle da exposição a jogos eletrônicos, pois promovem sempre a recompensa imediata, estimulando a impulsividade.
Desenvolvimento cognitivo e saúde mental
Em 2010, foi publicada a Cartilha do Educador do Projeto Atenção Brasil, com informações referentes a um estudo realizado por neurocientistas do Instituto Glia, com colaboração de pesquisadores da Universidade La Sapienza (Itália), do Albert Einstein College of Medicine (Estados Unidos) e da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto(São Paulo). Com o objetivo de revelar um retrato da saúde mental da infância e adolescência, o projeto fez um levantamento nacional de dados, entrevistando pais e professores de mais de 9 mil crianças e adolescentes das cinco regiões do país.
Segundo consta na cartilha, para 65,1% dos pais, os filhos são capazes de adiar recompensas, e para 34,9%, não. Já os professores disseram que 60,9% das crianças e adolescentes da amostra são capazes de adiar recompensas, ao contrário de 39,1% das crianças. Com base nessas informações, foi possível constatar a relação entre essa habilidade e o desenvolvimento cognitivo e saúde mental: o estudo mostra que crianças e adolescentes que não possuem a capacidade de adiar recompensas apresentam uma chance duas vezes maior de ter baixo rendimento escolar e risco 2,9 vezes maior de desenvolver transtornos mentais. “Os resultados obtidos no Projeto Atenção Brasil reforçam a importância de educarmos nossos filhos estimulando essa habilidade, sobretudo nos dias de hoje, em que uma maciça e subliminar propaganda tenta atraí-los na direção contrária – a do prazer desenfreado e imediato. Para alguns estudiosos, essa tendência guarda relação com epidemias modernas como a do consumismo, a da obesidade infantil e a do uso, abuso e dependência de substâncias”, comenta Marco Antônio Arruda, neurologista da Infância e da Adolescência e diretor do Instituto Glia.
O especialista lembra que educar para o adiamento de recompensas é “educar para o autocontrole, para a autodisciplina, e o controle dos impulsos é também educar para a tomada de decisões” – este último, característica importante para o bom rendimento escolar. A psicopedagoga Norita lembra que, graças ao controle dos impulsos, a criança que sabe adiar recompensas direciona melhor o foco da atenção para o que está sendo ensinado. “Assim, a memória é beneficiada pela direção e qualidade da atenção, base da aprendizagem. Esses alunos também planejam melhor a ação para resolver os problemas – como no momento de escrever, ler ou realizar cálculos –, tendo boa elaboração das suas respostas”, comenta.
Por outro lado, as crianças e adolescentes incapazes de adiar recompensas apresentam maior número de dificuldades, hiperatividade e desatenção, dentre outros aspectos que prejudicam o desenvolvimento acadêmico. “Uma criança impulsiva, que tem uma percepção confusa do ambiente e [mantém] a atenção alternada ou dividida por ficar pensando na recompensa a ganhar pela tarefa realizada, certamente enfrentará dificuldades para aprender e terá baixo desempenho acadêmico”, alerta Norita.
A especialista ressalta que esses indivíduos precisam de ajuda, e o olhar atento de professores e pais é muito importante para esse diagnóstico. “Essas crianças estão expostas aos fatores de risco para a saúde mental, podendo desenvolver problemas emocionais, de conduta, déficit de atenção e transtornos mentais que repercutirão no seu desempenho acadêmico. Caso esta situação não receba intervenção da escola e da família, se arrastará por toda a vida da criança, lhe causando muitos prejuízos”, ressalta.
Sistema de recompensas
Segundo Arruda, os professores podem contribuir para ajudar os alunos a aprenderem a adiar recompensas e a controlar seus impulsos. Ele sugere que o professor crie um sistema de recompensas, baseado em determinadas condutas ou objetivos que sejam relevantes. “A princípio, [a recompensa] pode ser de caráter imediato: os alunos que atingirem os objetivos propostos recebem a recompensa no final do dia. Depois, isso passa a ocorrer no dia seguinte, semanalmente, e assim por diante”, comenta. Com o tempo, o professor pode estipular objetivos mais difíceis e recompensas mais atraentes, que exigem maior esforço e maior tempo de espera dos alunos.
Por dentro do cérebro
O cérebro é um órgão que começa a aprender desde a sua formação. Ele se modifica de acordo com as experiências da pessoa e aprende por meio do exercício. “Durante estas experiências, sinapses (conexões nervosas cerebrais) são criadas e fortalecidas pela repetição. Caso estas sinapses não sejam estimuladas a se fortalecerem por repetidas vezes, pelas experiências, serão eliminadas. Assim como os músculos se enfraquecem pela falta de exercícios”, explica a psicopedagoga Norita Dastre. A especialista explica que alterações podem ser feitas na forma de pensar, e que estimular a criação de novas conexões neurais visando à aprendizagem de novos comportamentos é possível. “Portanto, esta capacidade pode e deve ser estimulada desde a primeira infância, pois assim a criança vai criando novas sinapses e as fortalecendo pela experiência repetida.”
Saiba mais >>>
Fonte: Revista Gestão Educacional
A habilidade de controlar os impulsos com o intuito de obter
adiante alguma vantagem ou objetivo desejado. Assim é definida a capacidade de
adiar recompensas, atributo exclusivo dos seres humanos e componente fundamental
da inteligência emocional. Segundo Norita Dastre, psicopedagoga
e pedagoga com extensão em Neurociências da Aprendizagem, essa habilidade faz
com que o indivíduo saiba aguardar o tempo adequado para ser recompensado por
suas ações ou seus comportamentos, seja no âmbito familiar, social, profissional
ou acadêmico. “Podemos perceber já em crianças bem pequenas a baixa tolerância à
frustração por não obterem instantaneamente aquilo que desejam. Essa
incapacidade de aguardar o tempo certo para ter o que se quer está se tornando
um grande problema social, e a mídia tem colaborado demasiadamente para isto”,
considera.
A especialista afirma que é possível – e necessário – que pais e professores trabalhem para contribuir no desenvolvimento da capacidade de adiar recompensas, já que crianças que não apresentam essa habilidade estão mais propensas a demonstrarem características como birra, irritação e raiva, hiperatividade ou apatia, tristeza ou depressão, choro fácil, reação negativa diante de situações novas e impulsividade. Além disso, têm dificuldades em seguir regras, enganam as pessoas para conseguir o que querem e buscam estar sempre em vantagem. “O professor e todos educadores da escola – [incluindo também] porteiros, inspetores, coordenadores, diretores, funcionários da limpeza, secretários, vigias e funcionários da cantina – podem observar facilmente alguns sinais como esses: a criança pode apresentar até mesmo agressividade diante das lições – quando não consegue realizá-las –, tentar burlar as regras das brincadeiras a seu favor e sempre dar um jeito de ser o primeiro na fila da cantina”, exemplifica Norita.
Os pais – com o apoio de avós, tios, professores e outros adultos do convívio da criança – são os principais responsáveis por promover o desenvolvimento da capacidade de adiar recompensas desde muito cedo. “O incentivo à repetição de atitudes inibidoras da impulsividade e da ansiedade, objetivando aguardar o recebimento de uma recompensa, um prêmio ou um presente, é fundamental, e todos os adultos que participam como educadores das crianças e dos adolescentes têm um papel importantíssimo no desenvolvimento desta habilidade”, explica a psicopedagoga. Ela lembra ainda que é importante que haja o controle da exposição a jogos eletrônicos, pois promovem sempre a recompensa imediata, estimulando a impulsividade.
Desenvolvimento cognitivo e saúde mental
Em 2010, foi publicada a Cartilha do Educador do Projeto Atenção Brasil, com informações referentes a um estudo realizado por neurocientistas do Instituto Glia, com colaboração de pesquisadores da Universidade La Sapienza (Itália), do Albert Einstein College of Medicine (Estados Unidos) e da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto(São Paulo). Com o objetivo de revelar um retrato da saúde mental da infância e adolescência, o projeto fez um levantamento nacional de dados, entrevistando pais e professores de mais de 9 mil crianças e adolescentes das cinco regiões do país.
Segundo consta na cartilha, para 65,1% dos pais, os filhos são capazes de adiar recompensas, e para 34,9%, não. Já os professores disseram que 60,9% das crianças e adolescentes da amostra são capazes de adiar recompensas, ao contrário de 39,1% das crianças. Com base nessas informações, foi possível constatar a relação entre essa habilidade e o desenvolvimento cognitivo e saúde mental: o estudo mostra que crianças e adolescentes que não possuem a capacidade de adiar recompensas apresentam uma chance duas vezes maior de ter baixo rendimento escolar e risco 2,9 vezes maior de desenvolver transtornos mentais. “Os resultados obtidos no Projeto Atenção Brasil reforçam a importância de educarmos nossos filhos estimulando essa habilidade, sobretudo nos dias de hoje, em que uma maciça e subliminar propaganda tenta atraí-los na direção contrária – a do prazer desenfreado e imediato. Para alguns estudiosos, essa tendência guarda relação com epidemias modernas como a do consumismo, a da obesidade infantil e a do uso, abuso e dependência de substâncias”, comenta Marco Antônio Arruda, neurologista da Infância e da Adolescência e diretor do Instituto Glia.
O especialista lembra que educar para o adiamento de recompensas é “educar para o autocontrole, para a autodisciplina, e o controle dos impulsos é também educar para a tomada de decisões” – este último, característica importante para o bom rendimento escolar. A psicopedagoga Norita lembra que, graças ao controle dos impulsos, a criança que sabe adiar recompensas direciona melhor o foco da atenção para o que está sendo ensinado. “Assim, a memória é beneficiada pela direção e qualidade da atenção, base da aprendizagem. Esses alunos também planejam melhor a ação para resolver os problemas – como no momento de escrever, ler ou realizar cálculos –, tendo boa elaboração das suas respostas”, comenta.
Por outro lado, as crianças e adolescentes incapazes de adiar recompensas apresentam maior número de dificuldades, hiperatividade e desatenção, dentre outros aspectos que prejudicam o desenvolvimento acadêmico. “Uma criança impulsiva, que tem uma percepção confusa do ambiente e [mantém] a atenção alternada ou dividida por ficar pensando na recompensa a ganhar pela tarefa realizada, certamente enfrentará dificuldades para aprender e terá baixo desempenho acadêmico”, alerta Norita.
A especialista ressalta que esses indivíduos precisam de ajuda, e o olhar atento de professores e pais é muito importante para esse diagnóstico. “Essas crianças estão expostas aos fatores de risco para a saúde mental, podendo desenvolver problemas emocionais, de conduta, déficit de atenção e transtornos mentais que repercutirão no seu desempenho acadêmico. Caso esta situação não receba intervenção da escola e da família, se arrastará por toda a vida da criança, lhe causando muitos prejuízos”, ressalta.
Sistema de recompensas
Segundo Arruda, os professores podem contribuir para ajudar os alunos a aprenderem a adiar recompensas e a controlar seus impulsos. Ele sugere que o professor crie um sistema de recompensas, baseado em determinadas condutas ou objetivos que sejam relevantes. “A princípio, [a recompensa] pode ser de caráter imediato: os alunos que atingirem os objetivos propostos recebem a recompensa no final do dia. Depois, isso passa a ocorrer no dia seguinte, semanalmente, e assim por diante”, comenta. Com o tempo, o professor pode estipular objetivos mais difíceis e recompensas mais atraentes, que exigem maior esforço e maior tempo de espera dos alunos.
Por dentro do cérebro
O cérebro é um órgão que começa a aprender desde a sua formação. Ele se modifica de acordo com as experiências da pessoa e aprende por meio do exercício. “Durante estas experiências, sinapses (conexões nervosas cerebrais) são criadas e fortalecidas pela repetição. Caso estas sinapses não sejam estimuladas a se fortalecerem por repetidas vezes, pelas experiências, serão eliminadas. Assim como os músculos se enfraquecem pela falta de exercícios”, explica a psicopedagoga Norita Dastre. A especialista explica que alterações podem ser feitas na forma de pensar, e que estimular a criação de novas conexões neurais visando à aprendizagem de novos comportamentos é possível. “Portanto, esta capacidade pode e deve ser estimulada desde a primeira infância, pois assim a criança vai criando novas sinapses e as fortalecendo pela experiência repetida.”
Saiba mais >>>
Fonte: Revista Gestão Educacional
20 de out. de 2012
Neurociência e currículo na educação infantil
Entretanto, uma questão fundamental deve ser abordada quanto às práticas pedagógicas utilizadas na promoção dessas aprendizagens, ou seja, de que maneira estas crianças, com todo potencial a ser explorado e estimulado, estão sendo acolhidas nesse ambiente de múltiplas possibilidades?
A pesquisadora em desenvolvimento humano, com formação em neurociências, Elvira Souza Lima trata do tema acima em artigo publicado na revista Presença Pedagógica.
O currículo adotado nas redes de ensino é adequado às necessidades das crianças nessa fase da educação formal? Quais práticas contribuem para o desenvolvimento pleno desses seres em formação e ávidos por aprender?
Segundo Elvira, "para o desenvolvimento das funções simbólicas e da imaginação, a criança precisa exercitar diariamente áreas específicas do cérebro" e para isso algumas atividades, também específicas, devem ser realizadas em sala de aula.
No referido artigo ela relata a experiência de uma rede municipal de educação, em Minas Gerais, que adotou um "currículo para o desenvolvimento da criança para crianças de 4 e 5 anos, que tem como eixo o desenvolvimento da função simbólica e da imaginação".
Bela iniciativa!
Leia o artigo na íntegra.
22 de set. de 2012
Como saber se meu filho/aluno tem a Síndrome de Irlen?
Procure observar se o seu filho, a sua filha ou seus alunos apresentam alguns dos sintomas ou comportamentos, dentre outros, abaixo:- Leitura lenta e segmentada, comprometendo a velocidade de cognição e a memorização;
- Cansaço, inversões, trocas de palavras e perda de linhas no texto, desfocamento, sonolência, distúrbios visuais, dores de cabeça, irritabilidade, enjôo, distração e fotofobia (sensibilidade à luz branca) após um intervalo relativamente curto na leitura;
- Uso constante de bonés justificando incômodo pela luminosidade;
- Preferência por permanecer em ambientes na penumbra;
- Dificuldades na percepção espacial e de profundidade;
- Esbarra constantemente nos móveis e pessoas.
É bom lembrar que muitos adultos também sofrem desde a sua infância com os sintomas da Síndrome de Irlen e ainda desconhecem o tratamento.
Para agendar uma avaliação clique em "Contato".
Uma em cada seis crianças tem síndrome de Irlen
Confundido com dislexia, problema é marcado
por falta de adaptação ao contraste, como claro e escuro, e há
distorção da percepção na leitura, como se texto e palavras estivessem
tremendo
Junia Oliveira -
Publicação: 19/09/2012 06:00 Atualização: 19/09/2012 09:41
Pais cujos filhos têm dificuldade de leitura e, por isso, foram identificados como disléxicos devem ficar atentos e insistir no diagnóstico. O problema pode ter cura e a criança fazer parte, na verdade, de 15% da população portadora da síndrome de Irlen. Trata-se de um distúrbio do sistema visual que tem como sintomas mais comuns a dificuldade de adaptação à luz, desorganização espacial (noção de direita, esquerda, em cima e embaixo) e desconforto com o movimento e com figuras complexas e de alto contraste, como as zebradas. Tudo isso impacta os pequenos, principalmente por afetar a coordenação da movimentação ocular, e, consequentemente, prejudicar a leitura. Assim como a dislexia, manifesta-se com intensidade variável, mas é um problema oftalmológico demonstrado clinicamente e que tem tratamento.
O primeiro conceito de dislexia é de autoria do médico britânico W. Pringle Morgan e foi descrito no fim do século 19 para identificar as crianças que não conseguiam ler, apesar do acesso a uma boa educação. O diagnóstico moderno também tem uma descrição vaga e ampla, de acordo com o oftalmologista Ricardo Guimarães, fundador e diretor do Hospital de Olhos de Minas Gerais, que a descreve como uma síndrome neurológica complexa que se manifesta de forma extremamente heterogênea.
Guimarães ressalta que todos os casos de síndrome de Irlen que não são identificados como tal acabam com diagnóstico de dislexia. “De maneira geral, observamos uma tendência de usar essa classificação como qualquer condição que afete o aprendizado e sobre o que não se sabe exatamente o que é. É mais um diagnóstico de exclusão – não é mais nada, então é dislexia – do que efetivamente de afirmação. É um termo não médico, mas educacional, para falar da dificuldade de leitura. O grande esforço que fazemos é tirar a Irlen desse saco comum”, diz.
Uma a cada seis crianças é portadora da síndrome, tem dificuldades de leitura, mas sai do consultório oftalmológico com um diagnóstico acima de qualquer suspeita. Isso porque o tradicional teste das letrinhas, ou teste de Snellen, trabalha com vogais e consoantes paradas e espaçadas, enquanto o portador de Irlen a enxerga de outra forma no dia a dia. A chefe do Departamento de Distúrbios de Aprendizagem Relacionados à Visão do Hospital de Olhos, Márcia Guimarães, explica que é importante avaliar a criança em algumas atividades. “Por que ela lê a primeira e a segunda frases e depois diz que está cansada, fala que quer ir ao banheiro, beber água? Tem algo na atividade nada confortável e aquilo se torna penoso”, avalia a médica.
TESTE DIFERENCIADO Márcia explica que, nesses casos, é preciso fazer o teste da visão em funcionamento, ao contrário do exame oftalmológico clássico. A avaliação deve excluir a instabilidade da movimentação ocular. “Quando lemos, normalmente movimentamos os olhos de três a quatro vezes por segundo. Para saber se a pessoa lê ou não, não posso me ater a ver se ela enxerga ou não a letra pequena, mas se enxerga e se movimenta bem os olhos da esquerda para a direita numa velocidade rápida e constante e com os dois olhos em sincronia”, afirma.
A médica acrescenta que, muitas vezes, a dificuldade que se transforma numa aversão à leitura está relacionada ao contraste do branco com o preto no papel, deixando a criança sem saber no que prestar atenção. Quem sofre de Irlen não consegue se adaptar ao contraste (claro e escuro ou preto e branco) e, nesse trabalho, costuma ter distorção de percepção, sentindo como se o texto estivesse mexendo e a palavra, trêmula. Márcia acrescenta ainda que o diagnóstico de Irlen e de dislexia devem ser feitos separadamente. Quem percebe a dislexia é o professor e o pedagogo e, apenas recentemente, se tornou um problema médico. Mas, no teste da letrinha, somente cerca de 15% das informações visuais envolvidas no aprendizado são supridas. O restante não é considerado.
"A leitura é a base do aprendizado na nossa sociedade. Quando não consegue aprender, a criança acaba alijada do processo de integração social e vai até, no máximo, o ensino fundamental. Eles são inteligentes, estratégicos e espertos, mas não se saem bem na sala de aula. O olho lacrimeja e coça. O aluno procura alternativa, fica disperso, começa a se mexer na cadeira, é rotulado como desatento, sem educação, hiperativo e acaba saindo da escola", diz. Os testes feitos no hospital verificam como a criança enxerga com luz natural e artificial – na luz fluorescente, o menino vê a letra se mexendo. Por meio de transparências de cores específicas, eliminam-se essas distorções levando de imediato a uma leitura mais fluente e compreensível. Márcia Guimarães destaca que as transparências são um recurso assistivo, não invasivo, de baixo custo e alta resolutividade, que potencializam o efeito das intervenções multidisciplinares mesmo na própria dislexia, se houver déficits visuais envolvidos.
O médico Ricardo Guimarães adverte que nem todos os oftalmologistas estão aptos a detectar a síndrome de Irlen nos consultórios. Segundo ele, a parte da visão relacionada à doença, a subcortical, ainda é uma "parte oculta do iceberg", daí a dificuldade de muitos profissionais em compreendê-la. "O que está comprometida é a visão subcortical, que nos dá a orientação. O que estudamos no consultório é a cortical, a capacidade de classificar os objetos", explica.
Ele acrescenta que os novos estudos da neurociência não foram plenamente incorporados na prática clínica. "Nossa medicina é muito voltada para o balcão. Conhecimentos que não envolvam produtos, ou seja, medicamentos ou técnicas, acabam tendo uma divulgação menor que aqueles com laboratório atrás fazendo propaganda. A maneira pela qual se faz o teste não envolve e não depende do instrumento mais importante do diagnóstico do teste oftalmológico, o de Snellen, mas exige do médico ficar com o paciente mais de uma hora no consultório. E hoje ninguém quer isso."
Dificuldade não está relacionada à inteligência
A chefe do Departamento de Distúrbios de Aprendizagem Relacionados à Visão do Hospital de Olhos, Márcia Guimarães, observa que, ao contrário da Irlen, detectada pelo oftalmologista, a dislexia envolve uma equipe multidisciplinar, com oftalmologistas, neurologistas, terapeutas e fonoaudiólogos, sendo identificada de diversas maneiras por cada profissional. A médica ressalta ainda que ela se manifesta de várias formas. Há pacientes com disortografia (ou disgrafia) e não consegue escrever corretamente; há aqueles que escrevem, mas no momento da leitura não pronunciam o som; e há ainda os casos de dificuldade com a matemática (discalculia), além da dislalia (troca da letra "l" pelo "r", por exemplo), além da dificuldade para diferenciar letras invertidas, como "d e "b", "p ou "q".
“O que chama a atenção é que a dificuldade não tem nada a ver com o grau de inteligência da pessoa. É alguém aparentemente normal, inteligente, com todas as facilidades de expressão, mas na hora de escrever surge a dificuldade. Por isso a criança evita escrever, porque começa a trocar letras e fica sem entender o que ocorre", relata Márcia. Segundo ela, normalmente, os portadores da doença, que atinge de 8% a 12% da população mundial, têm inteligência acima da média, pois, para driblar a deficiência, se esforçam além dos outros. "São pessoas extremamente talentosas em outras áreas, como em processamento espacial (montagem de quebra-cabeça e peças tridimensionais). Dão soluções imediatas a problemas matemáticos. Geralmente, são artistas, poetas, comediantes, pessoas que lidam com o lado da criatividade. Conhecimento padrão para eles é muito difícil", acrescenta.
A suspeita de dislexia recai depois dos 9 anos, quando a criança já foi exposta a um estímulo de escola mais intenso. A médica ressalta que há pouco tempo examinou uma família de empresários do ramo de supermercados de Belo Horizonte, em que todos os irmãos são dislexos. Eles adotaram uma estratégia de estudo em grupo. Enquanto um lê, os outros escutam. "A dificuldade pode ser na aquisição da habilidade de leitura ou no que a pessoa lê. Deve prestar tanta atenção no que está lendo a ponto de não conseguir se lembrar do conteúdo no fim do texto. Toda a atenção é desviada para decodificar o som", completa.
Fonte: Estado de Minas
Junia Oliveira -
Publicação: 19/09/2012 06:00 Atualização: 19/09/2012 09:41
Pais cujos filhos têm dificuldade de leitura e, por isso, foram identificados como disléxicos devem ficar atentos e insistir no diagnóstico. O problema pode ter cura e a criança fazer parte, na verdade, de 15% da população portadora da síndrome de Irlen. Trata-se de um distúrbio do sistema visual que tem como sintomas mais comuns a dificuldade de adaptação à luz, desorganização espacial (noção de direita, esquerda, em cima e embaixo) e desconforto com o movimento e com figuras complexas e de alto contraste, como as zebradas. Tudo isso impacta os pequenos, principalmente por afetar a coordenação da movimentação ocular, e, consequentemente, prejudicar a leitura. Assim como a dislexia, manifesta-se com intensidade variável, mas é um problema oftalmológico demonstrado clinicamente e que tem tratamento.
O primeiro conceito de dislexia é de autoria do médico britânico W. Pringle Morgan e foi descrito no fim do século 19 para identificar as crianças que não conseguiam ler, apesar do acesso a uma boa educação. O diagnóstico moderno também tem uma descrição vaga e ampla, de acordo com o oftalmologista Ricardo Guimarães, fundador e diretor do Hospital de Olhos de Minas Gerais, que a descreve como uma síndrome neurológica complexa que se manifesta de forma extremamente heterogênea.
Guimarães ressalta que todos os casos de síndrome de Irlen que não são identificados como tal acabam com diagnóstico de dislexia. “De maneira geral, observamos uma tendência de usar essa classificação como qualquer condição que afete o aprendizado e sobre o que não se sabe exatamente o que é. É mais um diagnóstico de exclusão – não é mais nada, então é dislexia – do que efetivamente de afirmação. É um termo não médico, mas educacional, para falar da dificuldade de leitura. O grande esforço que fazemos é tirar a Irlen desse saco comum”, diz.
Uma a cada seis crianças é portadora da síndrome, tem dificuldades de leitura, mas sai do consultório oftalmológico com um diagnóstico acima de qualquer suspeita. Isso porque o tradicional teste das letrinhas, ou teste de Snellen, trabalha com vogais e consoantes paradas e espaçadas, enquanto o portador de Irlen a enxerga de outra forma no dia a dia. A chefe do Departamento de Distúrbios de Aprendizagem Relacionados à Visão do Hospital de Olhos, Márcia Guimarães, explica que é importante avaliar a criança em algumas atividades. “Por que ela lê a primeira e a segunda frases e depois diz que está cansada, fala que quer ir ao banheiro, beber água? Tem algo na atividade nada confortável e aquilo se torna penoso”, avalia a médica.
TESTE DIFERENCIADO Márcia explica que, nesses casos, é preciso fazer o teste da visão em funcionamento, ao contrário do exame oftalmológico clássico. A avaliação deve excluir a instabilidade da movimentação ocular. “Quando lemos, normalmente movimentamos os olhos de três a quatro vezes por segundo. Para saber se a pessoa lê ou não, não posso me ater a ver se ela enxerga ou não a letra pequena, mas se enxerga e se movimenta bem os olhos da esquerda para a direita numa velocidade rápida e constante e com os dois olhos em sincronia”, afirma.
A médica acrescenta que, muitas vezes, a dificuldade que se transforma numa aversão à leitura está relacionada ao contraste do branco com o preto no papel, deixando a criança sem saber no que prestar atenção. Quem sofre de Irlen não consegue se adaptar ao contraste (claro e escuro ou preto e branco) e, nesse trabalho, costuma ter distorção de percepção, sentindo como se o texto estivesse mexendo e a palavra, trêmula. Márcia acrescenta ainda que o diagnóstico de Irlen e de dislexia devem ser feitos separadamente. Quem percebe a dislexia é o professor e o pedagogo e, apenas recentemente, se tornou um problema médico. Mas, no teste da letrinha, somente cerca de 15% das informações visuais envolvidas no aprendizado são supridas. O restante não é considerado.
"A leitura é a base do aprendizado na nossa sociedade. Quando não consegue aprender, a criança acaba alijada do processo de integração social e vai até, no máximo, o ensino fundamental. Eles são inteligentes, estratégicos e espertos, mas não se saem bem na sala de aula. O olho lacrimeja e coça. O aluno procura alternativa, fica disperso, começa a se mexer na cadeira, é rotulado como desatento, sem educação, hiperativo e acaba saindo da escola", diz. Os testes feitos no hospital verificam como a criança enxerga com luz natural e artificial – na luz fluorescente, o menino vê a letra se mexendo. Por meio de transparências de cores específicas, eliminam-se essas distorções levando de imediato a uma leitura mais fluente e compreensível. Márcia Guimarães destaca que as transparências são um recurso assistivo, não invasivo, de baixo custo e alta resolutividade, que potencializam o efeito das intervenções multidisciplinares mesmo na própria dislexia, se houver déficits visuais envolvidos.
O médico Ricardo Guimarães adverte que nem todos os oftalmologistas estão aptos a detectar a síndrome de Irlen nos consultórios. Segundo ele, a parte da visão relacionada à doença, a subcortical, ainda é uma "parte oculta do iceberg", daí a dificuldade de muitos profissionais em compreendê-la. "O que está comprometida é a visão subcortical, que nos dá a orientação. O que estudamos no consultório é a cortical, a capacidade de classificar os objetos", explica.
Ele acrescenta que os novos estudos da neurociência não foram plenamente incorporados na prática clínica. "Nossa medicina é muito voltada para o balcão. Conhecimentos que não envolvam produtos, ou seja, medicamentos ou técnicas, acabam tendo uma divulgação menor que aqueles com laboratório atrás fazendo propaganda. A maneira pela qual se faz o teste não envolve e não depende do instrumento mais importante do diagnóstico do teste oftalmológico, o de Snellen, mas exige do médico ficar com o paciente mais de uma hora no consultório. E hoje ninguém quer isso."
Dificuldade não está relacionada à inteligência
A chefe do Departamento de Distúrbios de Aprendizagem Relacionados à Visão do Hospital de Olhos, Márcia Guimarães, observa que, ao contrário da Irlen, detectada pelo oftalmologista, a dislexia envolve uma equipe multidisciplinar, com oftalmologistas, neurologistas, terapeutas e fonoaudiólogos, sendo identificada de diversas maneiras por cada profissional. A médica ressalta ainda que ela se manifesta de várias formas. Há pacientes com disortografia (ou disgrafia) e não consegue escrever corretamente; há aqueles que escrevem, mas no momento da leitura não pronunciam o som; e há ainda os casos de dificuldade com a matemática (discalculia), além da dislalia (troca da letra "l" pelo "r", por exemplo), além da dificuldade para diferenciar letras invertidas, como "d e "b", "p ou "q".
“O que chama a atenção é que a dificuldade não tem nada a ver com o grau de inteligência da pessoa. É alguém aparentemente normal, inteligente, com todas as facilidades de expressão, mas na hora de escrever surge a dificuldade. Por isso a criança evita escrever, porque começa a trocar letras e fica sem entender o que ocorre", relata Márcia. Segundo ela, normalmente, os portadores da doença, que atinge de 8% a 12% da população mundial, têm inteligência acima da média, pois, para driblar a deficiência, se esforçam além dos outros. "São pessoas extremamente talentosas em outras áreas, como em processamento espacial (montagem de quebra-cabeça e peças tridimensionais). Dão soluções imediatas a problemas matemáticos. Geralmente, são artistas, poetas, comediantes, pessoas que lidam com o lado da criatividade. Conhecimento padrão para eles é muito difícil", acrescenta.
A suspeita de dislexia recai depois dos 9 anos, quando a criança já foi exposta a um estímulo de escola mais intenso. A médica ressalta que há pouco tempo examinou uma família de empresários do ramo de supermercados de Belo Horizonte, em que todos os irmãos são dislexos. Eles adotaram uma estratégia de estudo em grupo. Enquanto um lê, os outros escutam. "A dificuldade pode ser na aquisição da habilidade de leitura ou no que a pessoa lê. Deve prestar tanta atenção no que está lendo a ponto de não conseguir se lembrar do conteúdo no fim do texto. Toda a atenção é desviada para decodificar o som", completa.
Fonte: Estado de Minas
21 de set. de 2012
O que os pais podem fazer quando
seus filhos têm problemas na escola 2ªparte
Por Don A. Blackerby Ph.D.
APRENDIZADO: Certifique-se de que o estudante
sabe COMO aprender e como realizar as tarefas que lhe são propostas. Nossas
escolas presumem que os alunos já sabem como aprender na sala de aula, e que
não há necessidade de ensinar-lhes estratégias de aprendizado que os ajudem a
aprender de maneira apropriada. Muitos estudantes têm problemas porque aquilo
que eles tentam fazer NÃO FUNCIONA. A maioria das "habilidades de
estudo" são simplesmente atividades que podem ou não gerar o aprendizado
na mente. Por exemplo, duas maneiras comuns aconselhadas aos alunos para
aprender a escrever as palavras são: 1. Escreva a palavra 5-10 vezes, e/ou 2.
Escreva a palavra muitas vezes, mentalmente, até lembrar-se. Nenhuma dessas
atividades funciona bem e muitos estudantes se rebelam contra essas tarefas
cansativas e repetitivas.
Outra tarefa de aprendizado que incomoda os alunos é a tabuada. A
maioria deles apenas repete-a muitas vezes, para aprendê-la. Isso é muito
cansativo, repetitivo e ineficiente. Eu quero que eles combinem o visual e o
auditivo, desenhando um triângulo como o que aparece abaixo. Eles fazem uma
imagem interna com os números e símbolos dos fatos matemáticos. Aí, eles fecham
os olhos ou tapam o desenho e dizem a tabuada a partir da imagem interna (ex.:
7 X 8 = 56, 56 : 7 = 8, 8 X 7 = 56, etc.) Isto liga a audição, falando em voz
alta, e a representação visual. Isso é muito mais interessante e eficaz, porque
estamos usando mais de um sentido, e é rápido e fácil.
Em meu livro, Rediscover
the Joy of Learning (ainda não traduzido para o português, Redescubra a
Alegria de Aprender) eu abordo muitas das estratégicas básicas de aprendizado
que acredito que os estudantes necessitam para sobreviver ou para prosperar na
escola. Elas funcionam muito bem, e os alunos parecem gostar de usá-las porque
são rápidas, eficientes e divertidas. Eu procuro garantir que os estudantes com
os quais trabalho saibam o que é que chamo de "estratégias básicas de
sobrevivência do aprendizado". São elas:
1) Saber como aprender a soletrar as
palavras,
2) Saber como aprender a tabuada,
3) Saber como memorizar dados e fatos,
4) Saber como aprender o vocabulário ou a terminologia de modo a melhorar a compreensão da leitura, e
5) Saber como ler com compreensão.
2) Saber como aprender a tabuada,
3) Saber como memorizar dados e fatos,
4) Saber como aprender o vocabulário ou a terminologia de modo a melhorar a compreensão da leitura, e
5) Saber como ler com compreensão.
Pela minha
experiência, se eles souberem minhas estratégias de aprendizado para essas
cinco tarefas acadêmicas, eles não apenas podem sobreviver à escola, mas
aproveitar ao máximo tudo o que a escola oferece.
A fim de mostrar a relação entre saber o que significa um assunto e qual
a estratégia de aprendizado para ele, voltemos ao estudo da matemática. Você se
recorda de que na última seção, dissemos que "Matemática é o estudo da
manipulação dos números e letras para resolver problemas do mundo, envolvendo
quantidades. Os números e as letras são as medidas das quantidades."
Assim, quando você está aprendendo matemática, você está aprendendo como
resolver problemas no mundo. Isso estabelece uma estratégia para o aprendizado
de matemática, em que você figura em sua mente (à medida que a lição está sendo
apresentada) respostas para as seguintes perguntas: "Que tipo de problema
é este?" e "Como vou solucioná-lo?" Você liga essas duas
respostas em uma figura mental. Depois você revisa verbalmente as respostas
para as duas perguntas, como "Quando eu tenho esse tipo de problema, eu o
resolvo da seguinte maneira." Então, quando você está fazendo um teste e
lê a pergunta, você pergunta a si mesmo: "Que tipo de problema é
este?" e tão logo a resposta aparece em sua mente, o "como resolvê-lo"
surge ao mesmo tempo. Esta estratégia é muito útil nos problemas com palavras.
MOTIVAÇÃO: Assegure-se de que o aluno está ligado na escola e nas várias tarefas
de aprendizado que deve cumprir. Eles se ligam quando a escola ou as tarefas
servem os SEUS critérios de valor. Os critérios são o que importa para o
estudante. Eles são os padrões pelos quais o comportamento é avaliado e
julgado. Se um estudante valoriza o aprendizado, ou o fazer bem feito, ou ser
competente, por exemplo, e se ele sabe como alcançar esses critérios, aí ele se
liga à escola. Se um estudante ainda não fez a conexão com seus próprios
critérios, ele não se ligará à escola. Ele fica muito indiferente e passivo.
Muitos atletas se ligam ao esporte porque valorizam a competição e "ser o
melhor", mas não se ligam às atividades escolares porque ainda não
encontraram uma maneira de ser competitivos ou os melhores na sala de aula. Às
vezes, a ligação que falta deve-se ao fato de que eles foram ensinados COMO ser
excelentes no esporte, e não foram ensinados como aprender na sala de aula.
Outros exemplos de critérios seriam: ser criativo, ser independente, ser
responsável, ser apreciado, ser único, pertencer, etc.
Ligar os alunos à escola, ou ao aprendizado, ou às tarefas de casa, ou a
outras tarefas escolares é relativamente fácil. A arte de fazer isso compreende
três etapas:
- Identificar a hierarquia dos valores mais importantes para ele.
- Conectar a tarefa à hierarquia.
- Criar motivação, com base nessa ligação.
Don A. Blackerby, Ph.D. é o fundador de
SUCCESS SKILLS em Oklahoma City. Ele foi professor de matemática e diretor de
escola, e fundou a SUCCESS SKILLS em 1981, a fim de focalizar o uso da
Programação Neurolingüística (PNL) para ajudar os alunos com dificuldades na
escola. Em 1996, ele escreveu um livro, Rediscover the Joy of Learning,
no qual descreve suas estratégias e processos baseados na PNL, para ajudar os
alunos com problemas, inclusive aqueles que sofrem da Desordem da Deficiência
de Atenção (ADD). Ele pode ser contatado de várias maneiras. Seu endereço :
SUCCESS SKILLS, P.O.Box 42631, Oklahoma City, OK 73123 USA. E-mail: info@nlpok.com. Site: www.nlpok.com
Trad. Hélia Cadore
Publicado na revista Anchor Point de setembro 2000.
Publicado na revista Anchor Point de setembro 2000.
O que os pais podem
fazer quando seus filhos têm problemas na escola 1ª parte
Por Don A. Blackerby Ph.D.
Uma das maiores
frustrações para os pais é descobrir que seus filhos têm dificuldades na
escola. A maioria dos pais não sabe o que fazer nem onde buscar auxílio. A
maneira mais óbvia de encontrar esse auxílio seria falar com os professores, na
própria escola. No entanto, muitas vezes, os professores também não sabem o que
fazer. Parte do problema deve-se ao fato de que os professores não são
treinados extensivamente para lidar com alunos que têm dificuldades. Esse é um
problema muito complexo, e com muitas causas.
A culpa está em toda
parte. Todos apontam o dedo para alguém, como sendo o responsável pelo
problema. Os pais, muitas vezes, culpam os professores ou o sistema escolar. Os
professores, muitas vezes, culpam os pais, a falta de apoio familiar, ou a
falta de fundos para adquirir material e livros. TODOS culpam o aluno. Eles
acusam o estudante de não fazer o esforço necessário, ou de ser preguiçoso, ou
de não ligar para a escola. Frequentemente, eles rotulam o aluno como incapaz
de aprender e o colocam em classes especiais. Enquanto isso, o aluno continua
com problemas, e o nível de frustração de todos continua a crescer.
A maioria das
soluções busca a mudança de comportamento e de ambiente do aluno. Nós podemos
ensiná-lo, cortar-lhe os programas de TV, fazê-lo estudar por mais tempo, ou
monitorar seu trabalho escolar para garantir que o mesmo seja realizado. Às
vezes, mudamos de professores ou de escola, ou levamos o aluno a fazer seu
trabalho de casa num local diferente, ou em horários diferentes. Na maioria das
vezes, essas tentativas não trazem qualquer solução a longo prazo. Produzem uma
grande quantidade de policiamento por parte dos pais e muito desacordo entre o
aluno e seus pais. Isso fere sentimentos e causa ainda mais frustração tanto
para os pais como para o estudante.
Talvez seja a hora de
buscar soluções em lugares diferentes. Talvez, a verdadeira resposta sobre como
ajudar os alunos com dificuldade não esteja em mudar seu comportamento ou
ambiente, mas sim na maneira como o estudante percebe a escola e o aprendizado.
Em minha opinião, existem cinco áreas básicas, dentro das quais se originam os
problemas escolares. São elas:
·
Atitude inadequada em relação à escola,
·
Falta de conhecimento sobre como aprender,
·
Falta de motivação,
·
Suposição de intenção negativa
·
Reação inadequada dos pais e dos professores.
ATITUDE: Certifique-se de
que o aluno tem uma maneira adequada de pensar SOBRE a escola e o aprendizado,
ou SOBRE certos assuntos. A forma como um aluno pensa sobre a escola define a
existência ou inexistência de sentido da mesma. Se a escola não tiver
significado positivo, ela se torna uma incubadora de problemas de
comportamento. Eu uso uma metáfora: "Não saber o que significa a escola é
como armar um quebra-cabeças sem olhar a figura da caixa. Sem esta, as peças,
individualmente, não têm significado algum. Quando se observa a figura da
caixa, vê-se de que maneira as peças devem ser combinadas – e de que maneira as
diferentes partes do quebra-cabeça se relacionam entre si."
Pode-se descobrir
qual é a atitude do estudante através da resposta à seguinte pergunta: "O
que a escola significa para você?" Se ele responder coisas como:
"Nada", ou "Não sei", ou "Lá eu vejo meus amigos"
, ou "Eu tenho que frequentá-la", isso demonstra que ele vê a escola
como algo sem sentido. Na melhor das hipóteses, ele se obriga a fazer as
tarefas que lhe são impostas. A escola não é nada interessante. Se ele disser:
"A escola é chata, eu a odeio!", ou "Os professores implicam
comigo", ou alguma variação disso, a escola significa um problema de
comportamento após o outro. Se a resposta for alguma variação de: "É o
lugar aonde vou para aprender coisas novas", então a escola tem um
significado positivo e será algo interessante.
Um dos níveis em que
a atitude e o significado realmente fazem a diferença, é a faculdade. Muitas
vezes, os estudantes se matriculam na faculdade porque é isso que se espera
deles, ou porque querem ter um nível superior. No entanto, muitas vezes, eles
ainda não sabem o que desejam de uma profissão ou carreira. Eles ainda não
imaginaram o que desejam fazer de suas próprias vidas. Quando isso acontece,
muitas vezes o trabalho do curso não terá sentido para eles. Por isso, eles
devem forçar a si próprios a estudar. Se ainda não aprenderam boas estratégias
de aprendizado, o trabalho mais complexo do curso será ainda mais difícil para
eles do que foi nos níveis inferiores. Isso, juntamente com a falta de sentido
dos cursos, torna a faculdade uma experiência muito frustrante. Acrescente-se a
essa frustração a experiência dos estudantes que começam a viver independentes
pela primeira vez, e isso muitas vezes torna sua vida social muito mais
tentadora do que o estudo. Suas notas caem ainda mais rapidamente. Aí, eles
começam a pensar que a faculdade não é para eles. Quando eu recebo um desses
estudantes para conversar, eu procuro eliciar sua Pergunta Virtual. Essa
Pergunta Virtual é uma pergunta inconsciente que define quem eles são e qual é
sua finalidade de estar aqui no planeta terra. Ela define a vida deles e o que
REALMENTE importa para eles. Uma vez conhecendo sua Pergunta Virtual, eles
podem escolher carreiras e tomar outras decisões importantes, para encontrar
uma resposta a essa Pergunta Virtual.
Outro fenômeno
interessante que encontro quando trabalho com estudantes e seus pais, é a ideia
de que eles gostam, ou não gostam, de determinadas matérias. A maneira como
eles falam sobre elas faz parecer que isso é uma lei natural ou genética. Eles
fazem comentários como: "Eu gosto de Inglês e de História." Adivinhe
em que matérias eles se saem bem? Gostar ou não de uma matéria é uma questão de
percepção – e a percepção pode ser mudada. Pense nas vezes, em sua vida, que
você mudou a percepção de alguma coisa. Pode ter sido por influência de um
professor, ou pela maneira como um amigo explicou o assunto, ou você descobriu
um aspecto do assunto que captou o seu interesse. Um dos fatores que influencia
fortemente o gostar ou não de uma matéria é a maneira como nós pensamos SOBRE
ela. Se nós pensamos de uma maneira negativa, geralmente não vamos gostar dela
porque ela não fará sentido para nós. Se tivermos uma forma boa ou útil de
pensar sobre ela, então nós gostaremos dela, porque vemos sua finalidade.
Eu fui professor de
matemática. Assim sendo, sempre tive interesse em saber porque alguns alunos
gostam de matemática e outros não. Até agora, encontrei quatro causas
fundamentais dos problemas dos alunos em relação à matemática. São as
seguintes:
- Eles não têm o conhecimento dos fatos matemáticos de maneira que os mesmos lhes sejam automáticos. Os fatos matemáticos são somar, subtrair, multiplicar e dividir os números de 0-9 ( ex.: 8x7=56, ou 9+6=15, ou 63:7=9). Ao invés desses fatos serem automáticos, muitos estudantes têm estratégias para computar tais respostas. Essas estratégias irão atrasá-los no futuro, quando estiverem lidando com problemas mais complexos.
- Eles não conhecem a terminologia da matemática de forma que possam compreender o professor ou a leitura do livro.
- Eles não têm uma estratégia para aprender matemática.
- Eles não tem uma maneira positiva de pensar sobre matemática, que ative seu interesse e motivação.
Vamos discutir as
primeiras três causas na próxima seção. A última está muito relacionada com
esta seção. Muitas vezes, quando pergunto a um aluno: "Em sua opinião, o
que a matemática estuda?", recebo respostas que vão desde um "Eu não
sei", até "Serve para controlar meu talão de cheques" ou
"Serve para que eu possa fazer trocos." Nenhuma dessas respostas é
inspiradora ou motivadora. Nem ajudaria a dar sentido a 99% da matemática.
Eu ofereço a eles a
minha versão: "Matemática é o estudo da manipulação dos números e letras
para resolver problemas do mundo, que envolvam quantidades. Os números e as
letras são medidas de quantidades." Então, eu lhes dou muitos exemplos de
problemas, começando no primeiro grau e indo além. Por exemplo: "No
primeiro ano, você aprende a manipular os números, somando-os. Assim, você
resolve problemas como "Você tem 5 maçãs e o seu amigo tem 4. Quantas
maçãs vocês têm, juntos?" Mais tarde, na quinta série, você aprende que
existem frações, aprende a somar, subtrair, multiplicar e dividir frações.
Depois, você aprende a solucionar problemas como ‘Sua mãe fez dois bolos para o
dia de Ação de Graças, uma torta de maçã e uma de cereja. Sobrou ½ torta de
maçã e 1/3 da torta de cereja. Que quantidade de torta sobrou?’ Em Álgebra,
você aprende a usar fórmulas para resolver problemas como: ‘O Sr. Smith,
proprietário da Smith Wholesale Clothes, desejava celebrar a chegada do ano
2000 com uma liquidação de 20%. Se ele tivesse uma camisa que originalmente
vendia por $45, qual seria o preço de venda? O estudo da matemática continua
assim, praticamente durante todo o tempo de escola."
Don A. Blackerby, Ph.D. é o fundador de SUCCESS SKILLS em Oklahoma City. Ele foi professor de
matemática e diretor de escola, e fundou a SUCCESS SKILLS em 1981, a fim de
focalizar o uso da Programação Neolinguística (PNL) para ajudar os alunos com
dificuldades na escola. Em 1996, ele escreveu um livro, Rediscover the Joy
of Learning, no qual descreve suas estratégias e processos baseados na PNL,
para ajudar os alunos com problemas, inclusive aqueles que sofrem da Desordem
da Deficiência de Atenção (ADD). Ele pode ser contatado de várias maneiras. Seu
endereço : SUCCESS SKILLS, P.O.Box 42631, Oklahoma City, OK 73123 USA. E-mail: info@nlpok.com. Site: www.nlpok.com
Trad. Hélia Cadore
Publicado na revista Anchor Point de setembro 2000.
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